Um tapa, um soco, um pontapé, doem.Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.Mas o que mais dói é a saudade.Saudade de um irmão que mora longe.Saudade de uma cachoeira da infância.Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.Saudade de uma cidade.Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.Doem essas saudades todas.Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.Saudade da presença, e até da ausência consentida.Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã. Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.Saudade é basicamente não saber.Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.Não saber se ela ainda usa aquela saia.Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre culpada,Se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na internet e encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua preferindo suco, se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor, se ele continua cantando tão bem, se ela continua detestando MC Donald´s, se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso... É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim doer. Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Saudade
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.Mas o que mais dói é a saudade.Saudade de um irmão que mora longe.Saudade de uma cachoeira da infância.Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.Saudade de uma cidade.Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.Doem essas saudades todas.Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.Saudade da presença, e até da ausência consentida.Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã. Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.Saudade é basicamente não saber.Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.Não saber se ela ainda usa aquela saia.Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre culpada,Se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na internet e encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua preferindo suco, se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor, se ele continua cantando tão bem, se ela continua detestando MC Donald´s, se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso... É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim doer. Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler.
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Poema Das Lamentações

Olá a todos...
Em momento meio introspectivo da minha pessoa, não estou a vontade para escrever,e minha criatividade parece esvair por entre o meu estado depressivo.
Aproveitando a ocasião, já que encontro tantas dificuldades em publicar algo inédito,quero postar um poema escrito pela minha grande amiga byazinha(blog: antes só do que mal acompanhada) que ela escreveu para mim,em um momento parecido com esse.Espero que gostem e admirem o poema,assim como eu admiro quem o escreveu.Bom final de semana a todos.
Então, os passos eram leves
cuidadosos
pra não ferir o tapete
não descompor a casa
não magoar o silêncio.
Mais ainda,
pela vontade de não estar na casa.
Então,
os passos eram suaves
atenciosos
pra não acordar as crianças
despertar as lembranças
Mais ainda,
pela vontade de não dar aqueles passos.
(Biazinha - Antes Só do que Mal Acompanhada.)
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Dica de filme:Antes de Partir
Como ando meio sem inspiração nesses últimos dias,tenho sentido um pouco de dificuldade pra escrever (pintar) letras com a cor da alma.Mas não quero deixar esse espaço aqui abandonado.Por isso essa semana vou sugerir aos amigos desse blog uma atividade cultural:Assistam um filme. A minha sugestão é o filme Antes de Partir (The Bucket List), um filme muito bacana, muito embora a historia que se desenrola na trama seja um pouco clichê.Mas vale a pena pela grande interpretação dos personagens principais, Carter Chambers (Morgan Freeman) e Edward Cole (Jack Nicholson). Espero que a minha dica agrade a todos assim como me agradou.
"Nossas vidas são como corregos, que correm para o mesmo rio,de encontro ao paraiso que existe na névoa alem da cachoeira."
Sinopse do filme:Carter Chambers (Morgan Freeman) é um homem casado, que há 46 anos trabalha como mecânico. Submetido a um tratamento experimental para combater o câncer, ele se sente mal no trabalho e com isso é internado em um hospital. Logo passa a ter como companheiro de quarto Edward Cole (Jack Nicholson), um rico empresário que é dono do próprio hospital. Edward deseja ter um quarto só para si mas, como sempre pregou que em seus hospitais todo quarto precisa ter dois leitos para que seja viável financeiramente, não pode ter seu desejo atendido pois isto afetaria a imagem de seus negócios. Edward também está com câncer e, após ser operado, descobre que tem poucos meses de vida. O mesmo acontece com Carter, que decide escrever a "lista da bota", algo que seu professor de filosofia na faculdade passou como trabalho muitas décadas atrás. A lista consiste em desejos que Carter deseja realizar antes de morrer. Ao tomar conhecimento dela Edward propõe que eles a realizem, o que faz com que ambos viagem pelo mundo para aproveitar seus últimos meses de vida.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Poema em Linha Reta
Ainda de ferias, mas, como estou me sentindo meio desleixado com o meu blog, decidi dar uma atualizada nele.O poema como podem ver não é meu, mas tem muito a ver com o que penso e sinto.Adoro esse texto, espero que gostem tambem...
Álvaro de Campos
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Carta Suicida
Que passado eu teria agora para relembrar e apagar.
Como eu queria clamar em alta voz que um dia arrisquei;
Ou que em algum momento, em meu privilégio pequei;
E mesmo sabendo que tudo ia dar errado, mesmo assim eu errei, mas tentei.
Quanta vergonha tenho de dizer: "vivi";
Nem sei se ao menos posso afirmar que existi;
Então do que me valeu tudo isso, se chegando agora, ao começo do meu fim;
A vida se resume e termina em um sincero: desisti.
Desisti de viver, por medo de errar;
E tive um dia a inútil tarefa de desistir de perder;
Pelo simples medo de poder talvez ganhar.
Não trilhei nenhum caminho, por medo de tropeçar;
Nem mergulhei bem fundo, mesmo sabendo que poderia nadar.
Entre os tantos porquês da minha vida, que tenho medo de perguntar;
Queria saber realmente, o que tenho de bom pra lembrar;
Que musica, tive o prazer de ouvir e sair a cantar;
Quantas vezes fiquei parado a contemplar o luar;
E o porquê, que não recitei aquele belo poema;
Que por tantas vezes, ensaiei pra te falar.
Não amei, não cantei, não me arrisquei à falar;
Nunca joguei, não falhei, nem mesmo me permiti pecar.
Envergonhei-me, não perguntei, nem tenho lembranças boas pra comentar;
Por fim, está reflexão, só me deu mais certeza;
Que realmente chegou a hora de deixar de vegetar.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Uma das cartas de amor que nunca enviei...
Olhe ao redor, será que realmente você já esgotou todas as possibilidades?
Afinal, o que procura tanto?Será que vale a pena insistir tanto em algo que há muito, muito tempo, não está te recompensando.
Às vezes o que mais esperamos está tão perto, que a nossa visão ampla, nos impede de ver o que está presente numa simples solução.
Estou sempre aqui, Compartilho suas tristezas, queria muito ser lembrado quando estivesse sorrindo.
Escuto seus dramas pessoais; queria saber quanto você se satisfaz ao resolvê-los.
Às vezes, sinto sua falta, não somente porque prezo a sua amizade, pra falar a verdade sinto que de alguma forma você me completa.
Em alguns momentos, pensei em dizer que te amo porem tenho medo de ser mal interpretado.
Não quero e de maneira nenhuma, quero me arriscar a perdê-la.
De fato, o que eu queria realmente entender, é o porquê de você dar tanto valor a alguém que não te merece.
Queria eu ser valorizado com tanto afeto assim.
Não dá pra entender, como uma pessoa tão insignificante a meu ver, pode ofuscar de tal forma a sua visão.
Não dá pra aceitar a idéia de que ele nada faz e nunca fez, pra merecer todo esse afeto.
E se fosse somente o afeto!!!
Queira entender porque só amamos quem muito nos despreza.
Ah!!!O amor poderia ser como A água ou com uma ou outra necessidade fisiológica. Uma coisa simples que pudéssemos buscar em qualquer lugar,ou pedir em qualquer porta.
É verdadeiramente uma pena que não é assim.
Olhe em sua volta, não sou somente um grande amigo, ou não me vejo tão simples assim. Queria ser mais.Não que não goste de ser visto dessa forma,mas, sinto que no fundo ,minha potencialidade deseja mais de mim e também de você.
Queria que sua pergunta da próxima vez viesse da forma correta, e que aquele simples: "Você gosta de mim?", não viesse carregado de um tom simplista de amizade.
Não quero somente te ajudar a encontrar uma solução para suas buscas afetivas. Quero estar, ou se não for pedir demais,quero ser a parte mais importante dela.
Nunca esperei que de alguma forma aceitasse isso, bem no fundo, espero que se encontre e que encontre a solução. Mas seria perfeito,que nessa sua busca,Eu,fosse uma obvia e extremamente comemorada descoberta nessa angustiante busca que acompanho a tanto tempo.
Como disse antes, não queria te dizer isso por medo de perder você. Mas medo maior tenho eu,de somente me tornar, o porto seguro,onde você só vem para curar suas feridas e se abrigar das tempestades.
sábado, 7 de junho de 2008
Quando me amei de verdade
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é...Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é... Saber viver!!!
(Kim McMillen )Traduzido por Iva Sofia Gonçalves Lima.






