terça-feira, 2 de setembro de 2008

Encontro Marcado

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Mais uma semana, mais um texto depressivo, espero que quem esteja lendo, não esteja pensando que suicidar-se é solução.Juro prá vocês na semana que vem vou tentar postar algo menos triste.
Se conseguir pensar em algo...
Os pulsos ainda derramam resquícios de sangue;
Que ainda se misturam as lagrimas que de meu rosto caia;
A pele ruborizada se ausenta, a cor vagarosamente partia.
Esvai-se também naquele momento;
Toda dor e sofrimento que a muito sentia.


Adeus medo, adeus dor;
Despeço-me de tudo que me consumia;
Bem vinda, oh! Sombra da morte.
Há muito tempo a esperava;
E você a mim resistia.
Livra-me dá angustia e do sofrer;
Vou contigo e deixo aqui; toda essa agonia.

Essa frase escrita com sangue no espelho;
Contrasta com a palidez do meu corpo;
Que no chão do banheiro, imóvel se via.
Entre borrões e manchas escritas no vidro se lia:
Cansei de estar sempre sozinho; vou fazer-lhe companhia.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Um tempo a mais

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Finalmente algo inédito para vocês.Espero que apreciem...Boa semana a todos.




Espere somente mais um pouco;

enquanto junto os cacos que sobraram após a ultima tempestade.
Tempestade essa que não destroçou somente um coração,
mas dilacerou também a alma...
Alma...Que alma? O que é alma?
Se um dia tive a mínima idéia ou a mera ilusão do que era isso;
hoje nem sei onde buscar uma simples explicação para sua existência.
Foi algo que um dia imaginei ter, como um autor fantasia um conto de fadas;
e que agora, visto oco como estou, tenho a cruel certeza;
desperdicei meu tempo em atitude vã como ao contar os grãos de areia.
Como foi inútil acreditar, como foi fútil devanear essa mera fantasia.
Dê -me só um momento para varrer os restos para debaixo do tapete;
esconder o que há de podre em mim, embora de tudo isso pouco sobre.
Jamais haverá para mim,luta tão nobre, quanto a de esconder;
o que de imundo existe em meu pensar.
Agora venha, me ajude a esconder o que é falha, o que é podre e o que é caco.
Joguemos tudo num imenso buraco e veja de mim o que resta...
Após tudo isso estarei pronto,mesmo que de minha luz sobre misero ponto;
que se faz notar em uma mínima fresta.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Saudade

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O texto que estou postando hoje tem a sua autoria atribuida a Miguel Falabella.É um texto muito interessante, alem de sentimental tambem,então acho que tem tudo prá ser colocado tambem nesse cantinho.Boa leitura.Boa semana a todos.


Trancar o dedo numa porta dói.Bater com o queixo no chão dói.Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.Mas o que mais dói é a saudade.Saudade de um irmão que mora longe.Saudade de uma cachoeira da infância.Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.Saudade de uma cidade.Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.Doem essas saudades todas.Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.Saudade da presença, e até da ausência consentida.Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã. Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.Saudade é basicamente não saber.Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.Não saber se ela ainda usa aquela saia.Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre culpada,Se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na internet e encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua preferindo suco, se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor, se ele continua cantando tão bem, se ela continua detestando MC Donald´s, se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso... É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim doer. Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Poema Das Lamentações

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Olá a todos...
Em momento meio introspectivo da minha pessoa, não estou a vontade para escrever,e minha criatividade parece esvair por entre o meu estado depressivo.
Aproveitando a ocasião, já que encontro tantas dificuldades em publicar algo inédito,quero postar um poema escrito pela minha grande amiga byazinha(blog: antes só do que mal acompanhada) que ela escreveu para mim,em um momento parecido com esse.Espero que gostem e admirem o poema,assim como eu admiro quem o escreveu.Bom final de semana a todos.


Então, os passos eram leves
cuidadosos
pra não ferir o tapete

não descompor a casa
não magoar o silêncio.
Mais ainda,
pela vontade de não estar na casa.

Então,
os passos eram suaves
atenciosos
pra não acordar as crianças
despertar as lembranças

Mais ainda,
pela vontade de não dar aqueles passos.

(Biazinha - Antes Só do que Mal Acompanhada.)

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Dica de filme:Antes de Partir

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Como ando meio sem inspiração nesses últimos dias,tenho sentido um pouco de dificuldade pra escrever (pintar) letras com a cor da alma.Mas não quero deixar esse espaço aqui abandonado.Por isso essa semana vou sugerir aos amigos desse blog uma atividade cultural:Assistam um filme. A minha sugestão é o filme Antes de Partir (The Bucket List), um filme muito bacana, muito embora a historia que se desenrola na trama seja um pouco clichê.Mas vale a pena pela grande interpretação dos personagens principais, Carter Chambers (Morgan Freeman) e Edward Cole (Jack Nicholson). Espero que a minha dica agrade a todos assim como me agradou.
"Nossas vidas são como corregos, que correm para o mesmo rio,de encontro ao paraiso que existe na névoa alem da cachoeira."

Sinopse do filme:Carter Chambers (Morgan Freeman) é um homem casado, que há 46 anos trabalha como mecânico. Submetido a um tratamento experimental para combater o câncer, ele se sente mal no trabalho e com isso é internado em um hospital. Logo passa a ter como companheiro de quarto Edward Cole (Jack Nicholson), um rico empresário que é dono do próprio hospital. Edward deseja ter um quarto só para si mas, como sempre pregou que em seus hospitais todo quarto precisa ter dois leitos para que seja viável financeiramente, não pode ter seu desejo atendido pois isto afetaria a imagem de seus negócios. Edward também está com câncer e, após ser operado, descobre que tem poucos meses de vida. O mesmo acontece com Carter, que decide escrever a "lista da bota", algo que seu professor de filosofia na faculdade passou como trabalho muitas décadas atrás. A lista consiste em desejos que Carter deseja realizar antes de morrer. Ao tomar conhecimento dela Edward propõe que eles a realizem, o que faz com que ambos viagem pelo mundo para aproveitar seus últimos meses de vida.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Poema em Linha Reta

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Ainda de ferias, mas, como estou me sentindo meio desleixado com o meu blog, decidi dar uma atualizada nele.O poema como podem ver não é meu, mas tem muito a ver com o que penso e sinto.Adoro esse texto, espero que gostem tambem...

Álvaro de Campos

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Carta Suicida

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Se nesse exato momento, eu resolvesse que devo me matar;
Que passado eu teria agora para relembrar e apagar.
Como eu queria clamar em alta voz que um dia arrisquei;
Ou que em algum momento, em meu privilégio pequei;
E mesmo sabendo que tudo ia dar errado, mesmo assim eu errei, mas tentei.
Quanta vergonha tenho de dizer: "vivi";
Nem sei se ao menos posso afirmar que existi;
Então do que me valeu tudo isso, se chegando agora, ao começo do meu fim;
A vida se resume e termina em um sincero: desisti.

Desisti de viver, por medo de errar;
E tive um dia a inútil tarefa de desistir de perder;
Pelo simples medo de poder talvez ganhar.
Não trilhei nenhum caminho, por medo de tropeçar;
Nem mergulhei bem fundo, mesmo sabendo que poderia nadar.

Entre os tantos porquês da minha vida, que tenho medo de perguntar;
Queria saber realmente, o que tenho de bom pra lembrar;
Que musica, tive o prazer de ouvir e sair a cantar;
Quantas vezes fiquei parado a contemplar o luar;
E o porquê, que não recitei aquele belo poema;
Que por tantas vezes, ensaiei pra te falar.

Não amei, não cantei, não me arrisquei à falar;
Nunca joguei, não falhei, nem mesmo me permiti pecar.
Envergonhei-me, não perguntei, nem tenho lembranças boas pra comentar;
Por fim, está reflexão, só me deu mais certeza;
Que realmente chegou a hora de deixar de vegetar.


Antes que pensem que estou pensando em me suicidar,quero deixar claro que a morte nesse texto tem sentido simbólico.Morre o velho prá brotar o novo.E se espera que esse novo seja realmente melhor.