Quanto mais eu tento me definir, mas me perco.
Por momentos sou inocente, outrora criminoso, doce e gentil e logo após amargo e cruel. Sinto que não sou nada, não tenho nada e agora pareço também não querer nada.
Sou como uma das varias engrenagens de um complexo relógio. E venho notando que esse relógio possui um defeito.
Entre os vários dentes da engrenagem desse relógio existe uma ruptura na qual sempre que o mecanismo passa por ela, ocorre um atraso, um desgaste. E esse desgaste é o que aos poucos está me matando.
Pelos atrasos desse relógio se compreende todos aqueles momentos decisivos, de confronto, de mudança, de exposição de sentimentos aos quis preferi fugir e adiar por achar que não estava preparado. É doloroso constatar que preparação dependia de como eu passaria por todos esses momentos aos quais adiei, nos quais “o relógio se atrasou”.
Anteriormente, apesar de todo o atraso gerado, eu sempre senti que poderia retomar o tempo perdido e ajustar o funcionamento. Agora não estou tendo essa perspectiva. Não estou encontrando uma solução cabível as minhas necessidades e a corrosão gerada pelo defeito em minha trajetória está afetando muito mais o funcionamento dessa engrenagem toda que tenho por dentro.
Muita dor, muito sofrimento, um desgaste que parece inútil corrigir. A cabeça pesa o corpo já não é mais aquele que regenerava facilmente das quedas e a vontade de ampliar os horizontes e sonhar com algo impossível ou até mesmo possível não é a mesma e parece não se manifestar.
Viver é um caminho angustiante, o tic-tac do relógio da vida já se compara a uma melodia triste, funesta, e até mesmo fúnebre de um final que se aproxima a passos lentos e torturantes num caminho onde pouca coisa foi proveitosa e a razão de tudo isso são “os atrasos do relógio”.









